quarta-feira, 28 de junho de 2017

Banco é condenado por não abrir conta para deficiente visual em MT

A Segunda Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado condenou o Banco do Brasil de Cuiabá ao pagamento de R$ 20 mil, por dano moral cometido

contra um deficiente visual que foi impedido de abrir conta poupança no banco. O montante foi minorado em 50%, já que a ação inicial requeria R$ 40 mil.


Conforme os autos, o apelado ao se dirigir até agência do Banco do Brasil, acompanhado de sua esposa e seu filho, para abrir uma conta poupança para seu

filho para o recebimento do auxilio pré-escola, teve sua solicitação negada pela instituição bancária pelo fato do autor ser deficiente visual, exigindo

que levasse procuração outorgada para pessoa "sem deficiência" e registrada em cartório.

De acordo com voto da relatora, desembargadora Maria Helena Gargaglione Póvoas, “com efeito, a restrição de abertura de conta demonstra descaso da Instituição

e ausência de cumprimento das legislações vigentes que prevê obrigação de assegurar o exercício pleno e equitativo de todos os direitos humanos e liberdades

fundamentais pelas pessoas portadoras de deficiência, conferindo-lhes tratamento materialmente igualitário (diferenciado na proporção de sua desigualdade)

e, portanto, não discriminatório, acessibilidade física e de comunicação e informação, inclusão social, autonomia e independência (na medida do possível,

naturalmente), e liberdade para fazer suas próprias escolhas, tudo a viabilizar a consecução do princípio maior da Dignidade da Pessoa Humana, caracteriza

o dano moral sofrido pela Requerente, sendo certo que o direito à honra, tem assento constitucional e a sua violação deve ser punida no âmbito civil”.


Também participaram do julgamento da Segunda Câmara de Direito Privado, os desembargadores João Ferreira Filho e Sebastião Barbosa Farias. A decisão unânime

Direção do CPB visita cidades do Japão visando aos Jogos de Tóquio 2020

Por CPB
Ter, 27 Jun 2017 14:30:00 -0300
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O presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro, Mizael Conrado, está desde o início da semana em visita ao Japão - onde passará por cidades com interesse

de receber a aclimatação e o período final de treino da delegação que representará o Brasil nos Jogos Paralímpicos de Tóquio, em 2020.

Ao lado do diretor-técnico do CPB, Alberto Martins, e do diretor-técnico adjunto, Jonas Freire, o presidente do Comitê visitará Hamamatsu, que é uma das

principais colônias brasileiras no país asiático e que demonstrou interesse em receber a equipe nacional.

A delegação ainda passará pela província de Hyogo, que recentemente assinou termo de cooperação com o CPB para o desenvolvimento do vôlei sentado na região,

e que também demonstrou vontade de sediar a preparação do Brasil.

"Estaremos aqui durante essa semana para conhecer as estruturas de Hamamatsu e Hyogo, com a intenção de definir definir a cidade que receberá a delegação

brasileira, os atletas neste tão importante período final, a última fase de treinamento para os Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020", disse Mizael Conrado.


Estão previstas também reuniões com o Japan Sports Council - que é o equivalente ao Ministério dos Esportes do Japão. Os brasileiros serão recebidos em

um centro de treinamento gerido pela organização em Tóquio.

Assessoria de Imprensa do Comitê Paralímpico Brasileiro (
imp@cpb.org.br)

Um bilhão de pessoas no mundo necessitam de ajudas técnicas e reabilitação. Em 2050, serão 2 bilhões.

Na segunda-feira, 26/6, o Salão Nobre da Câmara Municipal de São Paulo sediou o terceiro debate de um ciclo de audiências públicas que vem discutindo mecanismos

práticos da LBI, a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015). O encontro organizado pela deputada federal,

Mara Gabrilli, e a vereadora Adriana Ramalho, debateu Saúde e Reabilitação.

Mesa de abertura na Câmara Muncipal de São Paulo, na segunda-feira, 26 de junho.

A LBI entrou em vigor em janeiro de 2016 e prevê uma série de ações e serviços de saúde pública destinados às pessoas com deficiência. As unidades básicas

de saúde, por exemplo, deverão contar agora com equipamentos acessíveis, como mamógrafos e macas para mulheres cadeirantes, além de intérpretes de Libras

para prestar atendimento ao público com deficiência auditiva.

Ainda de acordo com a LBI, operadoras de planos e seguros privados de saúde têm a obrigação de garantir à pessoa com deficiência, no mínimo, todos os serviços

e produtos ofertados aos demais clientes. Além disso, essas empresas ficam proibidas de recusar pacientes com deficiência ou cobrar a mais deste público.


Participaram do evento na Câmara de Vereadores, a Secretária de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Dra. Linamara Rizzo Battistella;
a
deputada Mara Gabrilli; a vereadora Adriana Ramalho; o secretário municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, Cid Torquato; o secretário municipal

da Saúde, Wilson Pollara; a técnica da saúde da Pessoa com Deficiência da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Ligia Maria Carvalho Azevedo Soares,

representando o secretário de estado Davi Uip; e a coordenadora geral do Ministério da Saúde da Pessoa com Deficiência, Odília Brigido de Sousa; entre

outros.

Vereadora Adriana Ramalho ao microfone, ao lado da Dra. Linamara Battistella e a deputada Mara Gabrilli

A Secretária de Estado, Dra. Linamara, apresentou um panorama da saúde no Brasil e a importância do investimento na área. “É necessária mudança do paradigma,

das condições sanitárias, porque é evidente que crianças doentes não vão para escola, o jovem doente não vai trabalhar e as questões sanitárias são decorrentes

de mais doenças, de mais falta de educação sanitária”. Ela destacou a criação do SUS como importante avanço na área da Saúde. “A lei que cria o SUS foi

implantada em 92. Então a gente tem um SUS, que ainda é um pouco criança ainda, um pouco adolescente, mas tem a capacidade de fazer mudança na vida de

todos os brasileiros e de todas as pessoas que realmente precisam de cuidados médicos. Mas o SUS corre riscos grandes. Há um interesse e um entusiasmo

enorme em mudar a forma como ele é pensado e como ele foi concebido, e há um interesse enorme e um desejo bastante fortalecido de reduzir os direitos de

todos os cidadãos frente a saúde, quando o mundo inteiro discute cobertura universal e mostra que é preciso que o estado garanta saúde de qualidade. Isso

não acontece em São Paulo e por isso faço um cumprimento especial ao governador Geraldo Alckmin, que é um incansável defensor do SUS. E nessa luta por

garantia de direitos a Lei Brasileira de Inclusão fala com muita clareza sobre a garantia aos direitos da saúde.

Dra. Linamara apresenta cenário da Saúde e Reabilitação na Câmara Municipal

A Secretária destacou o pioneirismo de São Paulo em implementar a Rede de Reabilitação Lucy Montoro na capital e mais de dez municípios do interior de

São Paulo.

“A rede surge no estado de São Paulo em 2008 e alcança os cidadãos de diversas maneiras, a serviço de um número cada vez maior, por meio de serviços especializados,

de maior ou menor sofisticação, de acordo com a complexidade do quadro da pessoa com deficiência”, explicou.

A Secretária apresento a definição de reabilitação como “caracterizada por intervenções dirigidas às deficiências, limitações na realização de atividades,

ou restrições à participação, assim como fatores pessoais e ambientais, que tenham um impacto sobre a funcionalidade”, acrescentando que a reabilitação

é uma estratégia de saúde extremamente orientada ao indivíduo.

Ela destacou, ainda, que as necessidades apontadas pela LBI são um grito de alerta da atual população mundial. “As ideias quando são boas aparecem em
vários lugares simultaneamente. Desenvolvimento sustentável se dará se todas as pessoas estiverem dentro do sistema de saúde. As questões apresentadas

na LBI foram inspiradas pela Convenção da ONU sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e exaustivamente discutidas nas várias reuniões realizadas

pela Organização Mundial da Saúde, em Genebra”.

Dra. Linamara explica que hoje são 1 bilhão no mundo, com deficiência, e em 2015 serão 2 bilhões

A Secretária afirmou que a legislação brasileira é moderna e nos coloca alinhados com os países desenvolvidos, porém para ser cumprida precisa ter a participação

da população que deve reivindicar e buscar os direitos de cidadania. “Um bilhão de pessoas hoje equivalem a 3% da população mundial com necessidades de

ajuda técnica e reabilitação. Em 2050, serão 2 bilhões de pessoas com deficiência e envelhecimento. Todos juntos podemos fazer a mudança, quando a gente

entende nossa capacidade de reivindicar a gente muda o mundo”, frisou.

Dra. Linamara afirmou que as tendências globais de saúde e envelhecimento indicam a necessidade de uma ampliação dos serviços de reabilitação nos países

ao redor do mundo, em particular os países de baixa e média renda. Ressaltou, ainda, que o investimento em reabilitação permite que pessoas com alguma

condição de saúde alcancem e mantenham um nível de excelência em funcionalidade, melhorem sua saúde e aumentem sua participação em situações diárias, tais

como a educação e o trabalho, aumentando sua produtividade econômica.

“Fortalecer a reabilitação é fundamental para responder à crescente demanda por esses serviços e para assegurar que estejam disponíveis e acessíveis a

todos que precisarem”, argumentou.

Segundo a Dra. Linamara, os benefícios da reabilitação são sentidos muito além do setor da saúde. A reabilitação pode reduzir os custos do tratamento e

permitir a participação das pessoas na educação e no emprego. A reabilitação deve ser integrada nos planos nacionais de saúde e nos orçamentos. “É preciso

agir de forma coordenada para ampliar os serviços de reabilitação e atender às demandas existentes”.

Diante do exposto, a Secretária apresentou algumas Recomendações, alinhadas com a Organização Mundial da Saúde, onde teve a oportunidade de coordenar reunião

e discutir o tema, recentemente.

RECOMENDAÇÕES:

Integrar os serviços de reabilitação nos níveis primário, secundário e terciário do sistema de saúde.
O subdesenvolvimento da reabilitação em muitos países em geral resultou em serviços que são oferecidos apenas em alguns níveis do sistema de saúde. A reabilitação,

no entanto, é necessária em todos os níveis, para a identificação das necessidades e para garantir a efetiva continuidade da assistência ao longo do processo

de recuperação. Encaminhamentos padronizados e mecanismos de coordenação entre os níveis ajudam a assegurar uma boa transição entre as fases de cuidado

e bons resultados.

Assegurar a disponibilidade de serviços em âmbito hospitalar e em nível comunitário
A reabilitação em ambientes hospitalares permite a intervenção precoce, auxiliando a recuperação, otimizando os resultados e facilitando a alta. Muitas

pessoas podem precisar de reabilitação muito tempo após a alta, enquanto outras podem apenas precisar de acompanhamento na comunidade. As pessoas com deficiência

sensoriais, cognitivas ou de desenvolvimento, por exemplo, podem ser beneficiadas por intervenções de longo prazo realizadas em casa, na escola ou no local

de trabalho.

Assegurar que recursos financeiros sejam alocados na reabilitação
A forma como os sistemas de saúde alocam recursos afeta significativamente a prestação de serviços. Contudo, muitos países não dedicam orçamentos específicos

para os serviços de reabilitação. A alocação de recursos para a reabilitação pode aumentar a disponibilidade e a qualidade dos serviços de reabilitação

e minimizar gastos diretos, que são uma barreira significativa ao uso dos serviços.

Assegurar a disponibilidade de uma força de trabalho multidisciplinar em reabilitação
Uma força de trabalho multidisciplinar nos sistemas de saúde garante que toda a gama de necessidades por reabilitação pode ser atendida. Já se demonstrou

a efetividade das intervenções multidisciplinares de reabilitação no tratamento de diversas condições crônicas, complexas e severas que podem afetar significativamente

os múltiplos domínios da funcionalidade (visão, comunicação, mobilidade e cognição). Como as diferentes disciplinas da reabilitação exigem habilidades

específicas, uma força de trabalho multidisciplinar pode melhorar significativamente a qualidade dos cuidados e os resultados de saúde. Assim, deve-se

levar em consideração a formação, o desenvolvimento e a retenção de uma força de trabalho multidisciplinar na elaboração de planos e orçamentos do setor.


terça-feira, 27 de junho de 2017

Corte de verbas federais ameaça formação de cães-guias

Curso criado em SC aguarda definição para abertura de novas turmas
Dagmara Spautz
Os sucessivos cortes de verbas no governo federal levaram a uma crise sem precedentes o projeto público de formação de instrutores de cães-guias em todo

o país, que nasceu no Instituto Federal Catarinense (IFC), em Camboriú, e já beneficiou mais de 20 deficientes visuais só na região Sul. Sem recursos na

Secretaria Nacional de Direitos Humanos (SDH), de onde deveria vir a verba, gestores do programa estão em busca de alternativas para manter o financiamento

do projeto. A fila de espera por um cão-guia, no cadastro nacional, tem mais de 400 pessoas.

Gente como o fisioterapeuta Roberto Leite, que perdeu a visão gradativamente, desde a infância. Ele conta que ganhou mobilidade e viu sua independência

crescer depois de ter recebido Dexter, um flat coated retriever formado em Camboriú, no final de 2015.

_ Nunca mais bati em uma placa de trânsito. Já fui até a Brasília com ele _ diz.

Os cursos de formação de instrutores, que resultaram na entrega de cães como Dexter, foram criados em uma parceria entre a SDH, que ficou responsável pela

manutenção, e o Ministério da Educação, através da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), que responde pela estrutura física dos sete

campi espalhados pelo Brasil _ por enquanto, Camboriú e Alegre (ES) estão em operação.

Ocorre que, desde 2012, o orçamento da SDH passou de R$ 8 milhões para R$ 1,8 milhão. Só a verba do projeto cão-guia, que é de R$ 2,8 milhões por ano,

já supera e muito esse valor.

Para que o projeto não fosse paralisado, este ano o MEC dividiu recursos de manutenção com a SDH, extraordinariamente. Só que os repasses estão atrasados.

Em Camboriú, a direção tem adiantado verbas da instituição para manter os custos, que incluem a compra de ração e tratamentos veterinários para mais de

40 cães.

Marco Antônio Juliatto, representante do Setec, esteve esta semana em Camboriú para acompanhar uma visita técnica da Federação Internacional de Cães-Guias,

e discutiu a situação financeira do projeto com a direção do campus. O ideal, afirma, é que outros ministérios também passem a integrar a verba, como Saúde

e Previdência Social.

O prazo para definir colaborações, no entanto, é curto: para que o dinheiro esteja em caixa no ano que vem, é preciso que a partilha seja definida até

agosto.

_ Estamos dando um jeito este ano, mas precisamos de outros parceiros. Outros ministérios não se mexeram ainda, mas também não foram provocados. A alternativa

que temos é a divisão _ diz Juliatto.

Até que a definição ocorra, os campi estão de mãos atadas para anunciar novas turmas e aumentar o plantel com novos filhotes. Nem mesmo o edital para que

mais deficientes visuais se cadastrem é aberto.

Em Camboriú, há no momento quatro instrutores em fase final de formação e 40 cães em treinamento.

Fundos aguardam aprovação

Uma das alternativas para garantir a continuidade do programa federal de distribuição de cães-guias seria a criação de um fundo nacional para a pessoa

com deficiência, que pudesse absorver recursos privados, vindos de impostos, e direcioná-los para políticas públicas de assistência.

Há dois projetos para isso tramitando no Congresso Nacional, um na Câmara dos Deputados e um no Senado. Por falta de pressão popular, no entanto, eles

não entram na pauta de votação.

A outra possibilidade é a abertura de espaço para parceria público-privada na manutenção dos projetos de formação. Os institutos federais de Camboriú e

Alegre, no Espírito Santo, estudam a possibilidade de integrarem uma fundação _ o que abriria espaço para doações diretas da iniciativa privada.

DIÁRIO CATARINENSE

Universidade do Rio desenvolve livro digital para pessoas com deficiência

A adaptação de livros didáticos tradicionais para estudantes cegos, surdos, com deficiência intelectual e autismo vem sendo desenvolvida pela Universidade

Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) a partir de um projeto do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e da organização não governamental (ONG)

Movimento Down, iniciada em 2014. O livro vem sendo desenvolvido no Brasil por pesquisadores do Observatório de Educação Especial e Inclusão Escolar (ObEE)

da UFRRJ.

A universidade conta com uma equipe interdisciplinar, formada por pesquisadores de diferentes instituições do estado, como a Universidade do Estado do

Rio de Janeiro (Uerj), o Colégio Pedro II, a Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), envolvendo as áreas de educação e tecnológica. “Estamos com o

protocolo pronto. e já em fase de compra de materiais. O dinheiro foi liberado só agora. Estamos adquirindo os tablets, informou hoje (19) à Agência Brasil

a coordenadora do grupo de pesquisa do departamento, Márcia Pletsch.

O observatório está formando, 200 professores de educação especial nas redes de ensino de oito municípios da Baixada Fluminense (Belford Roxo, Duque de

Caxias, Nova Iguaçu, Nilópolis, Mesquita, Japeri, Queimados e São João de Meriti). Eles participam do curso de extensão Ensino e Aprendizagem para Estudantes

com Deficiência: Estratégias Curriculares e Recursos Tecnológicos, iniciado em fevereiro, que aborda tecnologia, desenho universal, acessibilidade, inclusão,

desenvolvimento humano.

Em campo

O livro didático digital vem sendo desenvolvido na perspectiva da metodologia do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). A ideia é começar a aplicação

do projeto-piloto em agosto. Alguns dos professores serão selecionados para turmas de alunos cegos, surdos, com autismo e deficiência intelectual. “Temos

que ir para as escolas, no contexto real das salas de aula, para validar o protocolo”, disse Márcia.

Escolas de 16 municípios que já haviam estabelecido parceria anterior em projeto sobre deficiência intelectual tiveram prioridade. De acordo com Márcia,

serão estudados quatro casos de cada deficiência. Um protocolo ético e metodológico na área de humanas será seguido, incluindo autorização das famíliaspara

filmagens.

A equipe de pesquisadores da UFRRJ e da Uerj vai atuar junto aos professores, acompanhando a aplicação do livro digital nas salas de aulas. Márcia Pletsch

lembrou que. para garantir acessibilidade a todos, o projeto observa especificidades teóricas de linguagem e construção do desenvolvimento cognitivo dos

diferentes tipos de deficiência.

O projeto é pioneiro e inédito, “inclusive internacionalmente”, ressaltou a coordenadora. “Se conseguirmos acessibilidade para um livro didático digital

na Baixada Fluminense, conseguiremos em qualquer lugar do planeta”. Caso o projeto seja validado, poderá ser replicado em qualquer lugar do mundo. “A proposta

é validar o projeto do Unicef e fazer uma devolutiva para o órgão das Nações Unidas”. O Unicef Brasil está acompanhando a aplicação.

Audiências públicas

Após o trabalho em campo, previsto para o final de outubro, o Observatório vai submeter o piloto do livro à aprovação em audiências públicas, abertas às

comunidades, com participação de adultos com deficiências e especialistas das áreas. O objetivo é elaborar um conteúdo que possa orientar a produção de

livros digitais acessíveis.

As audiências devem começar em janeiro, depois do trabalho interno dos pesquisadores. Para o projeto piloto, foi selecionado o livro didático mais escolhido

do Programa Nacional do Livro Didático, de 2015. O conteúdo foi transformado para se tornar acessível aos quatro níveis de deficiência, e ser inserido

em tablets, para escolas. A partir da validação, a universidade poderá solicitar o registro de patente do protótipo.

Fonte: site Agência Brasil por Alana Granda.

: Alunos usam conceitos matemáticos para ajudar estudantes com deficiência visual

Os estudantes dos primeiros anos do ensino médio do Colégio São Paulo Apóstolo, em Curitiba, tiveram uma experiência diferente neste mês de junho durante

as aulas de Matemática. Eles foram desafiados a produzir um material que pudesse auxiliar alunos com deficiência visual a aprender a disciplina. O objetivo

da prática foi incentivar a realização de trabalhos sociais e vivenciar experiências de pessoas com deficiência visual.

A atividade resultou no projeto “Áreas das figuras geométricas numa perspectiva de inclusão”, composto por figuras de alto relevo e letras com o alfabeto

Braille, que auxiliam estudantes com cegueira a perceberem altura, lados e base das figuras e, com isso, a compreenderem melhor os conteúdos matemáticos.

O material será doado ao Instituto Paranaense de Cegos (IPC), de Curitiba.

O trabalho foi orientado pela professora de Matemática Patrícia Pelogia Santos. Segundo ela, o objetivo, além de reforçar os conteúdos da disciplina, foi

despertar nos estudantes a sensibilidade e o voluntariado. “A ideia é que eles vivenciem experiências diferentes do que estão acostumados e que possam

ter um outro olhar sobre as dificuldades e a superações de pessoas com deficiência visual”, disse a professora.

A pesquisa foi assessorada por professores do IPC para que o material estivesse em conformidade com as práticas pedagógicas e as necessidades dos alunos

com deficiência visual. “Era preciso que o material pudesse ser usado pelos alunos, mas que também o professor pudesse utilizar para transmitir os conteúdos”,

explicou Patrícia.

NA PRÁTICA - Depois de estudar cálculos de área, gráficos e geometria na teoria, os 175 alunos do colégio estadual assistiram a um documentário com depoimentos

de pessoas cegas contando os desafios diários e como superam os obstáculos.

Eles receberam também a visita de estudantes com deficiência visual que contaram como é a rotina de estudo, além de assistirem a uma apresentação dos principais

materiais de estudo, como a máquina de escrever em Braille, o computador com auxílio dos aplicativos dosvox, nvda, e mecdaysi e, ainda, a máquina de cálculo

soroban. “Essa experiência contribui para que os alunos desenvolvam um olhar de empatia diante das necessidades dos demais”, disse a professora.

Após a pesquisa e a apresentação, os estudantes elaboraram um material de acessibilidade que será doado ao Instituto Paranaense de Cegos. O conteúdo será

usado nos atendimentos de apoio escolar dos ensinos fundamental e médio, com cerca de 150 crianças, adolescentes e adultos. “É importante que eles conheçam

e percebam que as pessoas com deficiência visual têm as mesmas potencialidades de aprender”, destacou a professora de apoio escolar do instituto, Ana Paula

de Oliveira Vieira, que acompanhou e assessorou a atividade.

EXEMPLO DE CIDADANIA – A atividade proporcionou diferentes experiências aos estudantes, que presenciaram histórias de superação dos alunos com deficiência

visual. “Fiquei feliz com a atividade porque sei que de alguma forma ajudamos a melhorar o aprendizado desses estudantes. Foi uma experiência muito boa,

que contribui para mudar minha percepção do mundo”, disse a estudante Camile de Lara, de 15 anos, que fez o trabalho junto com sua irmã, Caroline de Lara,

também de 15 anos.

A aluna Beatriz Cavalcante de Camargo, 15 anos, contou que a iniciativa despertou o interesse em ajudar o próximo. “Essa iniciativa da professora foi muito

boa porque, além de ensinar de uma forma divertida, mostrou que se preocupa com seus alunos e com as pessoas ao seu redor. Fazer esse trabalho, conhecer

as experiências das pessoas com deficiência visual foi uma experiência muito gratificante que serviu de exemplo para eu querer ajudar ainda mais quem precisa”,

contou a estudante.

Todo ano a professora desenvolve pelo menos um projeto social relacionado aos conteúdos matemáticos vistos em sala. No ano passado, os estudantes do 1°

ano do ensino médio confeccionaram 26 edredons, colchas e cobertores, arrecadados pelos próprios estudantes, que em seguida foram doados à Casa de Idoso

Nova Canaã, vizinha à escola. Para produzir as doações, os alunos utilizaram conhecimentos cálculos de área, gráficos e geometria.

Fonte:
http://www.aen.pr.gov.br/modules/noticias/article.php?storyid=94349tit=...

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Especialmente 4': mãe do DF faz vaquinha online para quadrigêmeos deficientes

Em dois meses, campanha arrecadou R$ 1,9 mil; meta é de R$ 50 mil. Mãe procura ajuda para irmãos que nasceram com lesão cerebral; os cinco embriões implantados

'vingaram'.
Por Yasmim Perna*, G1 DF
Linda Mar com os filhos, Rebeca, Davi, Ester e Marta (da esquerda para direita) (Foto: Yasmim Perna/G1)

Afamília de Marta, Davi, Ester e Rebeca lançou a campanha “Especialmente 4” e tenta arrecadar até R$50 mil para ajudar nos gastos diários. Os quadrigêmeos,

de 17 anos, nasceram com lesão cerebral. A ajuda vai financiar os gastos com remédios controlados, fraldas e tratamentos. Até esta sexta (12), a família

já tinha conseguido arrecadar R$ 1,9 mil.

A mãe dos gêmeos, Linda Mar Miranda, de 56 anos, contou ao G1 que a ideia da campanha veio da filha mais velha, de 28 anos, Vanessa Miranda.

citação
“A campanha é voltada para ajudar a todos, mas exclusivamente a Ester. Ela nasceu mais especial, não anda, não fala e tem hidrocefalia. Então os gastos

são diários”, diz a página.
fim da citação

Ester, entre os quatro, é a que tem um quadro médico mais delicado. “Ela nasceu com hidrocefalia, não anda, tem o pézinho torto, uma válvula no cérebro

e tem convulsões”, conta Linda Mar. Os irmãos também precisam de cuidados especiais e tiveram sequelas graves.

Marta teve a visão comprometida, e tem uma perna maior que a outra. Davi tem o lado esquerdo paralisado, e retardo mental. Rebeca não teve comprometimento

psicológico, mas apresentou um distúrbio que interfere no crescimento.

Quadrigêmeos nasceram com lesão cerebral (Foto: Arquivo Pessoal)
Linda Mar tinha o sonho de ser mãe novamente e teve os gêmeos após procedimento de inseminação artificial no Hospital Materno Infantil de Brasília (Hmib),

em 2000. Ela teve uma gravidez de risco, por causa da idade, e os cinco embriões que foram introduzidos no útero "vingaram".

citação
“Depois de 15 dias me avisaram que eu teria os cinco. Foi uma gravidez de risco e fiquei internada por meses. No dia seguinte ao parto, a Sarinha morreu”,

conta.
fim da citação

Com o quadro mais delicado entre os irmãos, Ester é totalmente dependente dos cuidados da mãe. Os irmãos frequentam a escola, em meio período. A rotina,

segundo a mãe, é cansativa e envolve consultas médicas regulares – além de problemas pontuais, os jovens são acompanhados por especialistas do hospital

Sarah Kubitschek.

Fora do horário de escola, Marta gosta de desenhar vestidos – ela cita o curso superior de moda como alternativa para o futuro, mas diz também pensar em

fazer fisioterapia. Fã de Paula Fernandes, ela contou ao G1 que gosta de cantar e sonha em fazer aulas de música e canto.

Já Rebeca, é estudiosa, gosta de ler e quer ser advogada quando crescer. “Ela não sossega enquanto não faz os deveres de casa”, contou a mãe. Davi adora

jogar futebol e é "viciado" em equipamentos eletrônicos. Segundo as irmãs, também “adora escutar rap e é fã de MC Pedrinho.”

Serviço de inseminação

De acordo com a Secretaria de Saúde, o Hmib oferece o serviço de reprodução humana assistida e tem, hoje, 5,4 mil inscritas no grupo de fertilização in

vitro. Deste número, 4 mil mulheres já foram chamadas para o procedimento.

A mulher que tiver interesse no serviço deve levar um pedido de encaminhamento de um médico da rede pública, e solicitar agendamento para o ambulatório

de Reprodução Humana do HMIB. A mulher deve ser monitorada pela equipe, responsável pela introdução dos embriões no útero.

*sob supervisão de Maria Helena Martinho

fonte g1