terça-feira, 15 de agosto de 2017

Mirante na Itália tem corrimão com braile

O mirante do Castelo de Santo Elmo, em Nápoles, no Sul da Itália, ganhou um corrimão com inscrições em braile, no começo do ano. A obra, que percorre todos

os caminhos e escadarias da Praça das Armas, amplia a experiência das pessoas com deficiência visual que visitam o local.

O trabalho, chamado “Follow the Shape”, é assinado pelo artista italiano Paolo Puddu, formado na Academia de Belas Artes da cidade. Sua criação ganhou

a 5ª edição do concurso “Uma obra para o castelo”, cujo tema era “Apenas um olhar — relações e encontros”. O evento teve a curadoria de Angela Tecce e

Claudia Borrelli, diretoras dos museus da Campânia e do Castelo de Santo Elmo, respectivamente.

No corrimão, foram colocadas frases do livro de 1919 “A Terra e o Homem”, do escritor napolitano Giuseppe De Lorenzo. A iniciativa permite que pessoas

com deficiência visual tenham acesso, em braile, à descrição da vista panorâmica da região da Campânia.

Fonte:
O Globo Site externo

8º Festival Assim Vivemos traz 32 filmes de 19 países

Com entrada franca, as sedes do Centro Cultural Banco do Brasil recebem o evento entre agosto, no Rio de Janeiro, e setembro, em Brasília e São Paulo
Trinta e dois filmes de 19 países integram a programação da 8º edição do Assim Vivemos – Festival Internacional de Filmes sobre Deficiência que chega ao

Rio de Janeiro (de 16 a 28 de agosto), Brasília (5 a 17 de setembro) e São Paulo (20 de setembro a 1º de outubro) nas unidades do Centro Cultural do Banco

do Brasil. Além da exibição audiovisual, serão realizados quatro debates com os seguintes temas: A visão e os sentidos da arte; Corpo e movimento; Tecnologia

assistiva de ponta e Amor e relacionamento. Com entrada gratuita, o evento tem realização do Centro Cultural do Banco do Brasil, patrocínio do Banco do

Brasil e do Ministério da Cultura e produção da Lavoro Produções.

Inéditos, os documentários trazem histórias protagonizadas por pessoas com diversas deficiências como síndrome de Down, autismo, paralisia cerebral, atrofia

muscular espinhal, deficiência física, visual, auditiva e intelectual. Além de produções brasileiras, foram selecionados trabalhos de outros 18 países:

Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália, Suíça, Itália, Espanha, Polônia, Bulgária, Finlândia, Espanha, Turquia, Ucrânia, Tailândia, Alemanha, Rússia,

Índia, Myanmar e Letônia.

Entre as produções destacam-se “Eu sou Jeeja”, sobre a indiana Jeeja Ghosh, líder ativista pelos direitos dos que têm paralisia cerebral na Índia; “ 50

X Rio”, filme italiano que conta a história de Alex Zanardi, ex-campeão de fórmula Indy que se preparou para os Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro e,

“Dois Mundos”, obra polonesa que mostra a família de Laura, garota de 12 anos que tem pais surdos.

Os curadores Lara Pozzobon e Gustavo Acioli acreditam que o evento cumpre duas funções: “ao mesmo tempo em que nos leva a refletir sobre aspectos fundamentais

da vida em sociedade e do autoconhecimento, também nos faz refletir sobre o nosso país, por meio da comparação com as mais diversas culturas e sociedades

representadas na nossa seleção. Tal comparação é sempre reveladora, principalmente quando descobrimos que somos mais avançados no que pensávamos que éramos

atrasados, e mais atrasados no que pensávamos que éramos avançados”.

“Em 2003, quando o CCBB exibiu a primeira edição do Assim Vivemos, as discussões sobre o tema eram muito reduzidas. Ainda há muito trabalho a ser feito,

mas acreditamos que o cinema, seja pelo filme de ficção ou pelo documentário, tem sido uma grande ferramenta de conscientização e o festival tem contribuído

bastante ao transportar o público para as mais diversas realidades e situações que envolvem a questão da deficiência.” reflete Fabio Cunha, gerente geral

do CCBB Rio.

Realizado a cada dois anos, o festival se mantém como o principal evento que celebra a inclusão cultural no Brasil. Ao primeiro, realizado em 2003 no Rio

de Janeiro e em Brasília, seguiram-se edições inéditas em 2005, 2007, 2009, 2011, 2013 e 2015. Desde 2009, São Paulo também abriga o festival. Em 2010

e 2012, foram feitas itinerâncias em outras cidades, como Belo Horizonte, Porto Alegre, Pelotas e Santa Cruz do Sul, ampliando seu alcance e possibilitando

que mais pessoas conhecessem o projeto e, através dos filmes, histórias de vida inspiradoras e altamente transformadoras.

Comprometido com a promoção de acessibilidade para todos os públicos, o festival oferece audiodescrição em todas as sessões e catálogos em Braille para

pessoas com deficiência visual; e legendas LSE nos filmes e interpretação em LIBRAS nos debates para as pessoas com deficiência auditiva. Pessoas com deficiência

física também contam com garantia de acessibilidade, uma vez que o Centro Cultural Banco do Brasil tem sua arquitetura concebida para o acesso de pessoas

com mobilidade reduzida e cadeirantes.

A lista dos filmes participantes segue abaixo e a programação completa está disponível no
site do festival Site externo.

Fonte: Assessoria

Em dez anos, triplica o número de alunos com deficiência em escolas regulares

No ensino médio da Escola Estadual Maurício Murgel, em Belo Horizonte, uma sequência de gestos pode explicar, por exemplo, a diferença entre ligações covalentes

e iônicas nas aulas de química. Nas turmas, estudantes e professores se comunicam tanto em português quanto na Língua Brasileira de Sinais (Libras), já

que nas classes há alunos surdos e pessoas sem qualquer limitação física ou intelectual.

O cenário reflete os esforços para a inclusão de estudantes com deficiência em turmas mistas nas instituições de ensino públicas e privadas mineiras. Nos

últimos dez anos, triplicou o número de crianças e adolescentes nessas condições matriculados em escolas comuns. O salto foi de 28 mil para 83 mil.

citação
“A convivência entre alunos com e sem deficiência é algo que sempre buscamos. Nossos alunos ouvintes aprenderam a língua de sinais para se comunicarem

com os colegas” (Denise Mundim Furtado, coordenadora pedagógica da E.E. Maurício Murgel)
fim da citação

O incentivo à criação de classes mistas é previsto no Estatuto da Pessoa com Deficiência, aprovado em 2015 como lei federal. Mas, ainda que a medida seja

observada nas salas de aula, a inclusão dessas pessoas no ambiente acadêmico segue como um grande desafio. Falta de apoio especializado, despreparo da

comunidade escolar, infraestrutura precária e turmas lotadas são alguns dos problemas apontados pelos estudantes, pedagogos e entidades de defesa dos direitos

dessa população.

Avanço
“A inserção no ensino regular é um grande avanço que democratiza os direitos das pessoas com deficiência”, afirma a coordenadora do Núcleo de Direitos

Humanos e Inclusão da PUC Minas, Carolina Resende. Para ela, as classes inclusivas representam o primeiro passo para o fim do modelo de escolas só para

deficientes, o que ela classifica como “segregação institucionalizada”. Mas Carolina acredita que as redes de ensino ainda não estão preparadas para receber

esses alunos.

A professora, que trabalha com a capacitação profissional de pessoas com deficiências diversas, conta que a maior parte delas termina o ciclo da educação

básica com severos déficits de aprendizagem, dificultando a inserção nos níveis de ensinos técnico e superior. “Muitos não estão nem alfabetizados”.

Referência
Dos 2 mil estudantes da escola Maurício Murgel, 47 possuem deficiência e estão em classes mistas. As aulas são ministradas em voz alta e traduzidas por

um intérprete de Libras, facilitando ao aluno o entendimento do que é dito.

Pela primeira vez, Edson Marques Sabino, 17 anos, estuda em uma escola comum. Deficiente auditivo, ele afirma que está se desenvolvendo mais rápido agora.

“Aprendo melhor do que na escola especial”.

Começar a conviver com ouvintes representa, para Edson, o desafio de conhecer uma nova cultura. “Estranhei um pouco no início, mas é importante termos

essa troca. O contato com ouvintes é bom para evoluirmos na sociedade e é essencial estarmos juntos. A inclusão está acontecendo aqui”, observa.

Fernanda Carvalho

Inclusão Emily

Depois de ficar cega, Emilly sofreu com a falta de compreensão dos antigos colegas de classe; hoje, a garota de 13 anos estuda no Instituto São Rafael


Aprendizado de qualidade é entrave na inclusão de estudantes

O principal entrave para a inclusão nas escolas comuns é o aprendizado de qualidade. A falta de preparo para atender às necessidades de Miriam do Couto,

de 16 anos, foi o que levou a adolescente cega a largar a escola em que estudava, em Alvinópolis, região Central do Estado. Nenhum dos docentes sabia ler

braille e a estudante não tinha apoio em sala de aula.

“A professora explicava a matéria para os outros alunos, eles escreviam tudo no caderno e eu ficava jogada em um canto, sem aprender nada”, conta. Hoje,

Miriam é aluna do Instituto São Rafael, escola especial que atende deficientes visuais na capital mineira.

citação
“Na escola comum eu tinha que escrever e fazer as contas o mais rápido possível, senão o professor apagava. Agora consigo copiar tudo no tempo certo” (Emilly

Carvalho, deficiente visual)
fim da citação

A entidade oferece cursos de capacitação, produz material em braille e em tinta para o ensino comum e dá suporte para instituições regulares. Diretora

do São Rafael, Juliany do Amaral acredita que as instituições especializadas devem apoiar as práticas de inclusão na rede comum. “A inclusão não veio para

fechar as escolas especiais. Somos aliados. Podemos e devemos ajudar a orientar os profissionais das instituições regulares a inserir os alunos com cuidado”.


Preconceito

Além de um ambiente com infraestrutura precária, a deficiente visual Emilly Carvalho, de 13 anos, teve que conviver com o preconceito dos colegas em uma

escola comum. “Sofri muito bullying depois de ficar cega. As pessoas da sala jogavam bolinha de papel em mim, pegavam meus materiais e saíam correndo.

Eles deviam ser mais compreensivos e gentis”.

Com a situação hostil, a mãe da menina se viu forçada a transferi-la para o São Rafael. Leila Aparecida Silva, de 39 anos, lamenta que a filha não tenha

conseguido seguir em uma classe mista pelo despreparo da instituição.

“Seria ótimo se a Emilly pudesse socializar com alunos videntes (que enxergam), mas essa inclusão só existe no papel, não há qualquer trabalho de orientação

aos estudantes e professores para lidar com as pessoas com limitações sem preconceitos”, argumenta.

Fernanda Carvalho

Miriam deficiente visual

Miriam largou a escola onde estudava em Alvinópolis, na região Central de Minas, porque os profissionais não estavam preparados para lidar com as limitações

dela

Em Minas, unidades especiais da rede estadual de ensino podem virar centros de apoio

O movimento de inserção das pessoas com deficiência no ensino comum reflete uma série de políticas voltadas para assegurar os direitos delas. No Brasil,

as matrículas de alunos com limitações nos colégios regulares cresceram 161% de 2007 a 2016, enquanto as escolas especiais deixaram de ser a primeira opção

de muitas famílias. Hoje, as instituições especializadas têm metade dos estudantes que tinham há dez anos.

Na rede estadual mineira, só 2.563 dos 43.002 dos deficientes matriculados estão em escolas especiais, conforme a Secretaria de Estado de Educação. Diretora

de Educação Especial da pasta, Ana Regina de Carvalho espera que até 2019 as instituições da rede deixem de ofertar o ensino especial e passem a funcionar

como centros de apoio para as demais escolas. Hoje, há 26 unidades especiais em Minas, enquanto 3.245 instituições estaduais regulares recebem alunos com

deficiência. “À medida que a inclusão se fortalece, as pessoas começam a buscar as escolas comuns”, diz.

Mudanças necessárias

Mas só colocar os estudantes em salas mistas não é suficiente, ressalta Rodrigo Mendes, presidente do Instituto Rodrigo Mendes, uma das referências na

defesa da inclusão das pessoas com deficiência em escolas comuns. Para ele, a inserção deve ser acompanhada por uma série de mudanças na estrutura e no

ambiente escolar e de preparo da equipe de ensino.

“Devemos investir continuamente na formação dos educadores e na adaptação da arquitetura da escola. É fundamental o planejamento das aulas, das estratégias

de ensino e do projeto pedagógico, além de utilizar material didático adequado às necessidades dos estudantes”, diz.

Editoria de Arte

Fonte: site do Jornal Hoje em Dia por Malu Damásio com fotos de Maurício Vieira e Fernanda Carvalho.

Governo acha irregularidade em 60 mil benefícios assistenciais

MAELI PRADO BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em busca de receitas e maior eficiência nos programas sociais, o governo deu início a um primeiro pente fino no

BPC (Benefício de Prestação Continuada), direcionado a idosos e deficientes de baixíssima renda, e encontrou 60 mil benefícios irregulares. Os cancelamentos

gerarão uma economia inicial estimada em R$ 670 milhões. O Ministério do Desenvolvimento Social encontrou 17 mil pagamentos a pessoas que já morreram.

Esses casos totalizam R$ 190 milhões por ano e já foram cancelados.

Em outro cruzamento de dados, foram identificadas 43 mil pessoas que recebem o recurso mesmo possuindo renda maior que o valor fixado para entrar no programa.

Uma redução ainda maior de custos é esperada em 2018, quando peritos verificarão in loco as condições físicas e de moradia dos beneficiários. Pelas regras,

têm direito a um salário mínimo deficientes incapacitados e pessoas acima de 65 anos, nos dois casos com renda familiar inferior a um quarto do piso. O

programa, que atende hoje a 2,48 milhões de deficientes e 1,99 milhão de idosos e custa R$ 50 bilhões, não era revisado desde 2008. As fiscalizações que

vêm sendo realizadas em programas como auxílio-doença, Bolsa Família e aposentadoria por invalidez são consideradas pelo Ministério do Planejamento uma

das fontes de receita para ajudar no cumprimento da meta fiscal. Essas varreduras, que geraram uma receita adicional superior a R$ 7 bilhões neste ano,

chegaram ao BPC. Entre julho e agosto, o Ministério do Desenvolvimento Social enviou cartas aos favorecidos pedindo que atualizem seus cadastros. A expectativa

é que até novembro R$ 480 milhões em incentivos sejam cancelados. "As revisões têm como objetivo dar mais eficiência ao gasto social, que cresceu muito

nos últimos anos sem revisões aprofundadas

. Há casos em que a doença não é incapacitante, e em que o usuário na verdade é candidato ao Bolsa Família, não ao BPC", diz o secretário executivo da

pasta, Alberto Beltrame. A diferença para as contas públicas é grande. O Bolsa Família paga, em média, R$ 181. O BPC concede R$ 937. O Desenvolvimento

Social aguarda o fim do pente fino do auxílio-doença para dar início à etapa mais aprofundada de revisão no BPC. "Estamos nos organizando para racionalizar

as visitas, focando somente nos casos em que é mais provável que a situação tenha mudado desde a concessão do benefício." As visitas vão avaliar não somente

as condições financeiras do beneficiário, mas também sua situação social -moradia, transporte e oportunidades de trabalho. "Ser cadeirante em São Paulo

é diferente de ser cadeirante no interior da Paraíba. São essas diferenças que a checagem também vai abordar", disse Beltrame.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Jovem de São Carlos é selecionado para ir ao Malawi ensinar música para deficientes

Gabriel dos Santos foi selecionado para participar do Move (Musicians and Organizers Volunteer Exchange), programa de intercâmbio para músicos.
Por Ana Marin*, G1 São Carlos e Araraquara
Morar em outro país e ensinar o que mais gosta de fazer a outras pessoas. Essa será a realidade nos próximos dez meses de um jovem de São Carlos (SP) que

foi selecionado para participar do Move (Musicians and Organizers Volunteer Exchange), programa de intercâmbio para músicos, no Malawi.

Gabriel Fabiano dos Santos, de 18 anos, estudou violoncelo durante seis meses no polo regional do
Projeto Guri
em São Carlos e participou do grupo de referência da unidade, Big Band. Atualmente, o jovem estuda licenciatura em música na Universidade Federal de São

Carlos (UFSCar) e seu principal instrumento é o piano .

O rapaz embarca para o país africano no dia 12 de agosto e, durante o intercâmbio, pretende implantar um projeto de música com deficientes.

“Pretendo levar a reflexão de que uma pessoa deficiente é um indivíduo social que merece ser tratado com os mesmos direitos que qualquer pessoa e fazer

parte de todo e qualquer meio, usando, para esses fins, a música como ferramenta”, disse ele ao G1.

Paixão pela música

Santos contou que a música sempre permeou sua vida e o os paise sempre o incentivaram a seguir carreira musical. “Não vivo sem e fico extremamente realizado

por ter minha vida girando em torno da música”, afirmou.

O estudante disse que após participar das duas primeiras etapas de seleção do projeto Move aguardou o resultado sem muitas expectativas.

citação
“Quando recebi a ligação, comecei a tremer. Reconheci a voz da coordenadora de projetos especiais e, ao receber a notícia, me emocionei demais. Chorei

e pulei de alegria assim que desliguei”, contou.
fim da citação
Gabriel dos Santos é um dos selecionados para o intercâmbio do Move (Foto: Divulgação/Projeto Guri)
Projeto

Questionado sobre como decidiu realizar um projeto com deficientes, o jovem relatou que na sua turma do Projeto Guri havia um deficiente visual e que percebia

as dificuldades do educador em querer evoluir todos os alunos, sem deixar ninguém para trás.

citação
“Me interessei nos problemas em relação ao ensino de música para deficientes visuais e, mais especificamente, na musicografia desenvolvida para eles. Ali

começou meu interesse e foi aprofundando através de trabalhos que fiz sobre o tema na faculdade”, declarou.
fim da citação

O jovem disse ainda que, durante o pré-curso que participou para o intercâmbio, surgiu a curiosidade sobre o envolvimento de deficientes no mundo da música

em Malawi.

citação
“Percebi que o assunto não é muito tratado por lá. Pretendo, então, desenvolver atividades que integrem os deficientes no meio da música e que gerem a

reflexão necessária sobre o tema”, justificou.
fim da citação

Mais do que trabalhar com a questão do deficiente na sociedade, Santos pretende desenvolver projetos que combatam o machismo. “Sempre com muita cautela,

tendo em mente que não irei mudar tudo num piscar de olhos, mas sim, que posso semear uma reflexão que talvez gere mudanças”, afirmou.

Jovens brasileiros que foram selecionados para o intercâmbio do Move (Foto: Divulgação/Projeto Guri)
Intercâmbio

O Move foi criado pela organização parceira JM Norway e promovido no Brasil pela Amigos do Guri, uma das gestoras do Projeto Guri, maior programa sociocultural

brasileiro, mantido pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo.

Além de Santos, outros cinco brasileiros participarão do programa de intercâmbio. Os jovens serão divididos em três duplas e irão viajar para Noruega,

Malawi e Moçambique.

Os músicos embarcam no dia 12 de agosto e durante os quinze primeiros dias participarão de um processo de capacitação em Oslo, na Noruega. O período de

integração tem a intenção de preparar o grupo para entender melhor a sociedade onde atuarão como voluntários e conhecer os conceitos que estruturam o Move

e a FK Norway. Após essa imersão, cada dupla seguirá seu destino.

*Sob supervisão de Fabio Rodrigues, do G1 São Carlos e Araraquara.

fonte g1

Prefeitura pagou R$ 6,9 milhões por tradução a deficientes que atendeu só 9%

uiz Fernando Toledo e Marco Antonio Carvalho

A Prefeitura de São Paulo gastou R$ 6,9 milhões por um serviço de tradução para cidadãos cegos e surdos (brailes e libra) que atendeu só 9% da população

prometida e ainda com atrasos e de forma incompleta. De 275 mil atendimentos à população previstos em contrato para os anos de 2015 e 2016, só 24,6 mil

foram realizados.

Isto aconteceu porque só parte do acordo foi executada: a empresa nunca entregou os 33 terminais de autoatendimento e 10 dispositivos Braille previstos,

que seriam instalados em diversos pontos. Além disso, o serviço de internet só começou a funcionar um ano depois de a empresa ganhar o edital, embora tenha

sido pago pelo poder público normalmente desde o começo.

O contrato para criar a Central de Interpretação de Libras foi firmado entre a gestão do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), por meio da Secretaria Municipal

da Pessoa com Deficiência (SMPED) e a empresa IMF Tecnologia e o serviço teve início em maio de 2015, com duração de 24 meses. Estava previsto atendimento

presencial, por telefone, internet e pelas centrais de autoatendimento. A ideia é que cidadãos pudessem pedir a tradução na hora de solicitar qualquer

serviço público.

As informações constam de uma auditoria produzida pela Controladoria Geral do Município divulgada nesta quarta-feira, 9. A investigação também constata

que a Prefeitura fez pagamentos adiantados de forma indevida à empresa no valor de R$ 230 mil.

Por causa da diferença entre o número de atendidos e o previsto, a CGM indica que houve "ineficiência no modo de cobrança do serviço." Se todos os atendimentos

combinados tivessem sido feitos, o custo médio por atendimento pago pela Prefeitura seria de R$ 22,99. Mas valor efetivamente pago foi de R$ 2,1 mil por

pessoa, uma diferença de 9.204,11%.

"Apesar da disparidade, não foi identificada qualquer iniciativa desta secretaria para que fosse alterado o contrato, de modo a adequar os valores cobrados

pelo serviço diante do atraso ocorrido para o início da utilização do aplicativo para atendimento e a própria adequação do mesmo a sua efetiva demanda",

diz o documento.

Alberto Pereira, assessor em inclusão e acessibilidade da Laramara - Associação Brasileira de Assistência à Pessoa com Deficiência Visual, lembra que a

lei brasileira de inclusão determina que os gestores públicos garantam acessibilidade às pessoas com deficiência, sob pena de improbidade administrativa.

Mesmo assim, diz, "infelizmente ainda existem poucas ações para gerar acessibilidade. E as que existem, muitas vezes são equivocadas",

A massoterapeuta Geisa Souza Santos, de 38 anos, que tem deficiência visual, reclama da falta de preparo nos equipamentos públicos. "Fui a um cartório

uma vez e ninguém sabia como lidar. Eu queria ler o que estou assinando em braile, mas não tem o serviço. Até forneceram um funcionário, mas eu falava

uma coisa e ele entendia outra. Escreveram algo completamente diferente do que eu tinha falado", reclamou. Nos hospitais, o problema persiste. "Não dá

para ir sozinha, tem de estar sempre acompanhada, dependendo da ajuda dos outros", diz.

Paralisação. Os serviços da IMF deveriam continuar acontecendo até maio, mas a gestão do prefeito João Doria (PSDB) decidiu interromper os pagamentos à

empresa depois de constatar as irregularidades. Desde março nenhuma das centrais está funcionando. A Prefeitura prometeu recorreu ao governo do Estado

para buscar atendimento emergencial nas prefeituras regionais.

A empresa atribui a culpa ao governo municipal e diz que não recebeu a infraestrutura tecnológica necessária da Prodam (empresa de tecnologia municipal)

para instalá-los. Já a SMPED informa fala em uma provável "divergência técnica" entre a Prodam e a empresa contratada, mas admite que o problema "não justifica

o pagamento por serviços não realizados." Já sobre o pagamento adiantado, diz que este foi feito "visando a real necessidade" da secretaria.

A gestão do prefeito João Doria (PSDB) informou, em nota, que os serviços de interpretação não foram totalmente interrompidos. O governo destacou o funcionamento

da SMPED de segunda à sexta, das 9h às 17h, com atendimento presencial de mediação na comunicação entre pessoas com deficiência auditiva, surdos e surdo-cegos.

Destacou ainda que está instalando um sistema para atendimento virtual nas prefeituras regionais, com apoio do governo do Estado.

Já o ex-prefeito Fernando Haddad, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que a CGM foi criada por ele "com o objetivo de auxiliar a execução

de contratos com terceiros e fiscalizar a sua implementação. " Destacou ainda que a solicitação de auditoria partiu da própria secretaria da pessoa com

deficiência. Para a gestão anterior, nos termos do próprio despacho da cgm, ressalvado os contraditórios, se ficar provado q houve falhas na execução por

parte da empresa, ela deve ressarcir a prefeitura. Se houve concurso ou conluio de servidores, sempre garantido amplo direito de defesa, eles devem ser

processados.

Já o advogado da IMF Tecnologia , Marcos Martins, disse que a culpa da situação é da Prefeitura. "A empresa sempre teve por parte dela a tecnologia e o

pessoal para o oferecimento de serviços", diz.

Em relação aos atendimentos, diz que o pagamento foi feito pela prestação de serviço. "A precificação do contrato não se deu pelo número de atendimentos,

mas sim posições logadas, ou seja, pessoas que estão dando atendimento. Eles deixam de considerar que existe um tempo mínimo de atendimento e de espera.

Quem fez a quantificação foi a Prefeitura no edital e a empresa cumpriu com o que estava no edital. Se ela quantificou errado, isso não pode ser atribuído

à empresa. A empresa sempre teve a tecnologia à sua disposição, tinha funcionários trabalhando desde o primeiro dia do contrato. "

Veja o posicionamento completo da empresa:

"- Os terminais de autoatendimento e dispositivos não foram instalados porque a própria SMPED desautorizou em razão da ausência de tecnologia de responsabilidade

da PRODAM. A empresa possui atestado de capacidade técnica afirmando que sempre prestou os serviços a contento e que dispunha desde o início do contrato

de pessoal especializado e sistema para execução do serviço.

- O atestado de capacidade técnica emitido pela própria SMPED comprova de forma inequívoca que a IMF Tecnologia possuía toda a infraestrutura tecnológica

para execução dos atendimentos CIL via aplicativo e demais modalidades desde o início do contrato. A empresa reforça que atendeu a todas as demandas solicitas

pelos usuários e SMPED.

- 100% do que foi contratado foi executado pela IMF até a paralisação dos serviços. A empresa não recebe sua remuneração desde dezembro/2016. fonte  Estadão
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Funcionários públicos de SCS aprenderão Libras para ajudar no trabalho

A Sedef (Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência ou Mobilidade Reduzida) iniciou um curso de Libras (Língua Brasileira de Sinais) no início do

mês, em São Caetano. O curso tem 265 inscritos, e desses, 51% são funcionários públicos que sentiram a necessidade de aprender a linguagem dos sinais para

melhorar o atendimento ao público.

O censo do IBGE de 2010 aponta que, em São Caetano, cerca de 8.000 pessoas têm alguma deficiência auditiva, seja total, parcial ou moderada.

Além da grande procura por parte de servidores públicos, a sociedade civil corresponde aos 49% dos inscritos, com idades entre 9 e 64 anos, o que superou

as expectativas da Sedef.

O curso de Libras traz duas inovações neste ano, sendo uma turma de gramática em Libras para surdos, que não aprendem a gramática comum, e o fornecimento

gratuito de todo o material didático necessário, elaborado por Marcelo e ilustrado pela mulher dele, Sandra Fontalvo Bessa de Lima.

*Com informações do DGABC

Fonte:
SãoCaetano.Info Site externo